Já fiz um post sobre o meu trabalho, mas pretendo agora explicar um pouco mais sobre o que eu faço específicamente, e contar algumas novidades (não tão novidades assim mais) na empresa que podem ser extremamente importantes para o meu futuro.
UPS, a maior empresa de distribuição do mundo, compra em 2004 a gigante "Menlo Worldwide Forwarding", e entra assim no mercado de transporte pesado. Abre portas então para prestação de serviços de transporte de produtos acabados para empresas, e o ramo que cuida dessa área é chamado UPS Supply Chain Solutions. Desde então, os dois segmentos seguem como se fossem duas empresas separadas, e até mesmo os escritórios centrais são separados, tornando a UPS SCS o mais independente possível.
Enquanto a área de atuação da UPS é o transporte particular de cartas e produtos (tipo um correio super otimizado, que faz entregas nacionais ou internacionais, em tempo mínimo, qualidade máxima, permitindo serviços de rastreio via internet e coisas do tipo), a UPS SCS presta serviços a empresas terceiras. É simples. Toda empresa que fabrica produtos precisa revendê-los. O procedimento antigo de revenda era baseado no consumidor se deslocar até a loja da empresa, escolher seu produto, pagar, e levá-lo para casa. Hoje em dia é diferente, o consumidor escolhe e paga o produto pela internet, e recebe o produto em casa.
Mas quem entrega o produto na casa do consumidor, afinal de contas? Quando esse formato começou a aparecer, quem entregava era a própria empresa. Cada empresa possuia ums serviço de entrega individual, que entregava o produto escolhido na casa do consumidor final. Mas a entrega era extremamente cara e ineficiente. Imagine, por exemplo, um consumidor do Oriente Médio fazendo uma encomenda de um produto de uma empresa inglesa. Pior ainda, imagine que ele é o único consumidor encomendando um produto desta empresa, e a empresa tem um prazo máximo de entrega. Ou seja, vai sair um caminhão da Inglaterra em direção ao Oriente Médio, carregando um só produto, para o pobre do consumidor. Digo pobre porque é provavelmente como ele vai ficar se solicitar um serviço desse tipo.
Mas aí vem a UPS SCS, com uma solução genial. Afinal de contas, ela tem 100 anos de experiência em transporte de encomendas, sempre com rapidez e qualidade, via terra, mar ou ar. Ela pergunta à empresa: que tal se eu fizer as entregas de seus produtos para você, oferecendo um preço muito mais baixo do que você paga atualmente, e uma qualidade muito maior, de modo que você possa oferecer também ao seu cliente um preço mais baixo na entrega? É claro que é um bom negócio, e é por isso que a UPS SCS cresceu tanto e tão rapidamente.
O sucesso da SCS foi tremendo. Em 2006, o lucro gerado pela UPS SCS já era tão grande quanto o da UPS, a empresa continuava crescendo num ritmo assustador. Mas havia algo de errado. Tanta independência entre as duas empresas era algo ruim, considerando-se que era extremamente complicado para a UPS SCS utilizar-se dos veículos da UPS. A UPS cobrava da UPS SCS normalmente, como se ela fosse um cliente qualquer (oferecendo um preço bem mais baixo, obviamente), e, além disso, não havia compartilhamento de dados sobre rotas, tempos, etc. Cada empresa possuia suas próprias rotas a seguir, seus próprios veículos, seu próprio escritório central... Tudo separado.
Em 2007 a empresa fez 100 anos de existência, e, na ocasião da celebração, foi anunciado que UPS SCS e UPS voltariam a ser uma só empresa. Aos poucos, tudo que era então separado passaria a ser junto, e até mesmo a marca UPS Supply Chain Solutions desapareceria com o tempo. Mas, claro, tudo a seu devido tempo.
Falando de Europa, temos o escritório central da UPS, que coordena toda EMEA (Europa, Oriente Médio e África) localizado em Bruxelas, devido a ótima localizacão da cidade na Europa. Fica exatamente no centro, facilitando transportes de produtos em tempo mínimo. Ao mesmo tempo, temos o escritório central da UPS SCS localizado na Suíça, que é um ótimo país para empresas se instalarem devido aos baixos impostos. Acontece que, desde o anúncio do realinhamento das duas empresas em 2007, a tensão é grande. Todos os trabalhadores dos dois escritórios sabiam que não continuariam separados por muito tempo. Restava saber qual dos dois escritórios se mudaria, e quando.
A resposta veio em Novembro, do ano passado. Eu só estava na empresa há duas semanas, e não tinha a menor idéia do quão grande era aquela notícia. Todos da empresa se reuniram, e o chefe dos chefes da UPS EMEA veio nos falar que, após muita análise, havia sido decidido que UPS SCS seria realocada no mesmo escritório da UPS, em Bruxelas. O escritório na Suíça seria fechado no final de Maio de 2008, e, até Fevereiro, a todos da empresa seriam ofeceridos novos contratos e oportunidades de emprego na Bélgica. Todos precisariam analisar a proposta e decidir se gostariam ou não de se mudar para Bélgica.
Lembro do quão feliz fiquei nesse dia, ao mesmo tempo em que todos os outros morriam de tanta tristeza. Na verdade, não tinha a menor idéia do que aconteceria comigo, mas sabia que, na melhor das hipóteses, seria transferido para Bélgica, e conheceria outro país de graça! Na pior das hipóteses, terminaria meu intercâmbio antes, em Maio, ao invés de esperar até o final de Junho, que era o que o meu contrato diria. Qualquer uma das opções era boa, e esse era o motivo de eu estar rindo a toa.
Minha sorte estava mesmo em alta. Graças ao meu trabalho bem feito durante as primeiras semanas, tinha passado uma ótima impressão para os meus gerentes, e, por isso, pouco tempo depois veio a boa notícia. Descobri que mesmo minha melhor hipótese não era tão boa quando a oferta que eles me fizeram. Fui oferecido me mudar para Bélgica, como todos os outros, mas não como estagiário, e sim como empregado full-time! E, de quebra, ainda receberia um mega-pacote de recompensas para me ajudar na mudança (que para muita gente é algo super complicado, mas para mim era só felicidade!). O pacote incuiria 4 meses de salários extras (!), mudanças, visitas à Bruxelas para procurar moradia, hospegando em hotel, cursos de francês particulares, e muitas outras coisas. Quer mais o que???
Acontece que mudar com a empresa nessa situação, com tantos benefícios, viria com um preço. Dois anos de débito, durante os quais não poderia sair da empresa a não ser que devolvesse proporcionalmente os benefícios que eu recebesse. E, para mim, nessa fase da minha vida, fazer esse tipo de compromisso é algo extremamente complicado. Expliquei para o meu chefe que não podia dar a resposta tão de imediato, e que queria um tempo para pensar. Passado um tempo, conversamos denovo e conseguimos chegar a um acordo ainda melhor, na minha opinião. Terminaria meu estágio antes do previsto, esse semestre, depois voltaria para o Brasil, faria o meu semestre do ITA, normalmente, para, no final de 2008, voltar novamente para UPS. Mas, dessa vez, direto para Bruxelas, e já com um contrato de emprego full-time. E ainda receberia uma parte do pacote de realocação, para me ajudar com as despesas de mudança! E o melhor de tudo, sem compromisso com a empresa depois de eu me formar!!!
Não podia esperar nada melhor, estou extremamente satisfeito com tudo. Além de tudo, ainda vou ter um tempo maior para pensar sobre minha vida e meu futuro, e preciso dar a minha resposta somente depois do meio do ano, por volta de Agosto. Até lá, posso viajar, divertir, e pensar muito sobre o que eu quero fazer na minha vida e nos meus próximos anos.
4 comentários:
vc eh "O CARA"! Te amo, tia silvia
O cara, ainda bem que para voce tudo tudo correu bem. Se voce fosse funcionario da Menlo worldwide ja nao diria isso, pois em Portugal quase todos foram despedidos apenas por serem da Menlo. Mais, os que restaram, foram sempre tratados de forma a que se despedissem, pois ali nao tinham futuro. Ja o seu Country Managers, e Operation Manager, são do mais incompetente que existe, ja para nao dizer que etica profissional e coisa que nao ha por la....
Cara, fica-te por Bruxelas e se feliz.
Mattar, de facto voce esta a leste do que representa a UPS-SCS. Em Portugal a UPS teve o que merece, incompetencia pura e crua. a direção da Menlo foi practicamente convidada a sair (tambem pouco fez!)e os que restaram, sobrevivem em pesadelo. Na verdade, tudo tem um fim e essa direcção esta no fim, é tudo uma questão de semana menos semana. A familia que fazia parate da direcção, familia sim porque eram irmãoe e cunhados, ja sairam !(voce sairia dessa empresa?') sabe-se lá por que razão, e imagines-se sem idemnização!! restanto agora o Guro Mor..o Country..! Esta a espera de quÊ?!! Clarao é isso mesmo que lhe paguem ainda mais por incompetencia. Só falta dizer que o abandonaram. Se a UPS for uma pessoa de bem (duvido, depois de tanto tempo a roubarem..e BEM) não o deixe sair sem uma vistoria/auditoria TOTAL as contas desde pelo menos 2007. e ai ele sai, mas em debito com tanto que teria de creditar a empresa.
aproveito para dar uma vista de olhos no blog portugues..sobre esse tema..vai rir..ou chorar..http://tiksi.blogspot.com/
É isso mesmo cara !
O Vigilante te deu uma imagem do sacrificio que é trabalhar ou melhor, vegetar numa empresa cuja equipa de liderança em Portugal se regula pela arte de corrupção e coação relativamente a quem não for da "seita" e cujo "Police book" tão anunciado pelo tio Sam, foi desde a primeira hora queimado.
Isto em Portugal, é o Far West...e...o que há mais são cavalgaduras.
Se você der uma vista de olhas no "Police book"...refere entre outras coisas a proibição de coexistir na mesma empresa familiares, vinho e algum "pó" à mistura.
Pois meu irmão em Portugal você tinha até há uns dias atrás na equipa conhecida em Portugal pelos irmãos "Metralha" - creio que você conhece a história da banda desenhada - o mano mais velho, como nr. 1 (country mgr) , bêbedo todos os dias, até ao levantar e o melhor cliente dos nightclubs; o mano a seguir era o nr. 2 na hierarquia, (i)responsável pelas operações e vendas !!; o cunhado dos manos era o nr. 3, como branch mgr;...sendo que estes dois ultimos fugiram como ratos, quando lá fora o tio Sam, começou a despertar de um loooonnnngo periodo de hibernação...e...vai daí sairam num dia...e...no dia seguinte já estavam a tratar da vida num transitário concorrente dos quais o Country Mgr é dono.
É isso mesmo cara...isto até está cada vez mais parecendo com o teu Brasil... só que fedendo muito mais.
Mas o "mensalão" para a metralhada, dava para você fazer um cruzeiro em 1ª classe com todas as mordomias.
Te cuida, e faz uma visita na tiksi.
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