quinta-feira, 6 de março de 2008

Impressões gerais sobre a França

     Permita-me então fazer algumas observações sobre esse belíssimo país, que após três meses de convivência com franceses no trabalho e 4 cidades visitadas, julgo ser capaz de fazer.

     Não me restam dúvidas de que a França é mesmo puro glamour... Apesar de não ter visitado muitos países ainda, é difícil imaginar que algum possa ser mais charmoso. Filmes franceses em geral mostram bem esse aspecto, e a própria língua deixa transparecer bastante esse sentimento quem vive no "país do amor".

     Junto com isso, entretanto, vem um sentimento de superioridade extremamente forte, o qual não senti nem de perto nos Estados Unidos, por exemplo (talvez porque enquanto os americanos acreditam que sua superioridade seja senso comum no mundo, os franceses precisam constantemente provocar os outros países para chamar atenção). Eles realmente acreditam ser o centro do mundo, e constantemente se recusam a aceitar conseqüências óbvias do mundo globalizado.

     Um exemplo é uma organização que eu vi em Paris, que tem como objetivo manter a identidade cultural do país no idioma. É interessante que exista um órgão como esse, mas às vezes eles chegam ao absurdo de proibir que palavras como iPod, por exemplo, sejam pronunciadas do modo inglês (ai-póde). A norma francesa diz que a pronúncia correta nesse caso é i-pô, e ainda houve uma enorme discussão para determinar qual seria o sexo do i-pô (finalmente estipulado como masculino).

     Muitos franceses são também incrivelmente convencidos, resultado direto desse sentimento de superioridade. E eles sempre olham a história deles com muito orgulho, como se eles sempre tivessem sido os heróis lutando contra bandidos. Por exemplo, numa conversa com meus colegas franceses de trabalho sobre a colonização do continente africano, a impressão que eles têm é de que a França realmente foi lá para salvá-los, e que os malditos africanos, mal-agradecidos, ainda imigraram em massa para a França, roubando dos franceses o que é deles de direito... Interessante o ponto de vista, né?

     Bom, pontos prós, pontos contra, o importante é notar que esse conjunto de itens acaba por definir a identidade cultural do país, que, apesar de se acharem o centro do universo, é notavelmente muito mais forte do que a espanhola e portuguesa, por exemplo.

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