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quinta-feira, 6 de março de 2008

Um pouco de cultura...

     Com essas minhas viagens nos últimos anos aprendi uma coisa muito importante: é muito mais legal viajar conhecendo antes um pouco da história do país. Assim, ao chegar no país, podemos entender melhor as pessoas, a cultura local, a arquitetura, os principais monumentos e, o principal: saber a história nos faz sentir um pouco "parte do lugar", e não simplesmente um turista olhando tudo na terceira pessoa.

     Mas, claro, a viagem em si é também uma fonte inesgotável de cultura, e sempre que paro para refletir o quanto aprendi durante a viagem, fico surpreso.

     Nessa última viagem para a França, pude aprender muitas coisas, e vou aproveitar esse post para contar uma história que eu achei bem legal (e trágica, ao mesmo tempo). Vou falar um pouco sobre a história da guilhotina.

     Apesar de ter certeza de que todos sabem do que se trata, vai uma breve explicação. A guilhotina é um instrumento utilizado para executar ou decapitar pessoas. Consiste em estrutura de madeira na qual uma grande lâmina é suspensa, a qual, sobre um determinado comando, é solta à queda-livre sobre o pescoço da vítima, que tem a cabeça decapitada.

     Inventada na França, no final do século XVI (1788), pelo Dr. Joseph-Ignace Guillotin, a guilhotina teve um importante papel na Revolução Francesa, e teve como vítimas alguns personagens importantes como o rei Luis XVI e sua amável esposa Maria Antonieta. A primeira cabeça a rolar foi a de Nicolas-Jacques Pelletier, que foi executado em 25 de Abril de 1792, e os últimos - acreditem se quiser -, foram Claude Buffet e Roger Bontemps, que tiveram sua sentença executada em Novembro de 1972. Isso mesmo, mil NOVECENTOS e setenta e dois.

     O fato de as últimas vítimas terem sido executadas muito recentemente foi a primeira coisa que me assustou. Me faz ver que a história que estudamos ou lemos não é simplesmente ficção, ou coisa de outro mundo. É algo que aconteceu há pouco tempo atrás, nesse mesmo mundo, nesse mesmo lugar, com pessoas iguais a eu e você. Não estamos tão distantes assim dela! E, o principal, estamos construindo-a todos os dias, sem perceber. Sem dúvida nos livros de história de daqui algumas centenas de anos estarão lá pessoas que viveram nos dias de hoje e, até mesmo, quem sabe, eu e você!

     A segunda coisa que eu achei super interessante (e um tanto quanto bizarra e trágica) foi a tradição de executar as pessoas em praça pública, de modo que todos pudessem assistir. Executar pessoas começou a se tornar um costume, e sempre que havia uma decapitação pública, as praças se enchiam. Afinal de contas, qual o motivo de se executar as pessoas em praça pública? Simples, serve para que o exemplo da vítima não seja seguido pelos expectadores no futuro.

     Mas isso não seria suficiente. Se, embora a guilhotina tivesse sido criada justamente para provocar uma morte rápida e sem dor ao sentenciado, os carrascos não se contentavam com uma morte instantânea.  Um desses carrascos, Dr. Beaurieux, se aventurou em alguns testes bizarros com as vítimas., nos quais ele, após fatiar a cabeça do sujeito, chamava-o pelo nome, ou dava uma espetada com um alfinete em seu rosto. Para a sua surpresa, sempre havia uma reação.

     Henri Languille, executado em 28 de Junho de 1905 pelo Dr. Beaurieux foi uma das vítimas desses testes. Logo após a queda da cabeça, o médico (se é que assim pode ser chamado) segurou sua cabeça pelos cabelos e, mostrando a todo o público, gritou o nome "Languilleeeee!!!". Lentamente, percebeu que os olhos da vítima se mexeram e viraram em sua direção, como que respondendo ao chamado. Após alguns segundos, repetiu o teste, gritando pelo nome da vítima. Mais uma vez os olhos se direcionaram a ele. O acontecimento revelara então uma grande novidade para a ciência, o fato de que cabeças vivem separadas do corpo por alguns segundos antes de se apagarem de vez.

     Se a história ainda não está muito estranha para você, aguarde que agora vem o pior. Sabendo desse pequeno intervalo de tempo que o cérebro sobrevive após a decapitação, dali em diante todos os carrascos começaram a segurar a cabeça da vítima pelos cabelos após o ato, de modo que ela pudesse ter a agradável sensação de ver uma multidão aplaudindo a sua morte como última imagem.

     Simples assim. "Que morram todos eles, mas sabendo que há uma multidão de pessoas comemorando tal fato".

     Para quem quiser dar uma lida no trecho escrito pelo Dr. Beaurieux sobre a morte de Languille, segue abaixo a transcrição do mesmo:

Here, then, is what I was able to note immediately after the decapitation: the eyelids and lips of the guillotined man worked in irregularly rhythmic contractions for about five or six seconds. This phenomenon has been remarked by all those finding themselves in the same conditions as myself for observing what happens after the severing of the neck...

I waited for several seconds. The spasmodic movements ceased. [...] It was then that I called in a strong, sharp voice: 'Languille!' I saw the eyelids slowly lift up, without any spasmodic contractions – I insist advisedly on this peculiarity – but with an even movement, quite distinct and normal, such as happens in everyday life, with people awakened or torn from their thoughts.

Next Languille's eyes very definitely fixed themselves on mine and the pupils focused themselves. I was not, then, dealing with the sort of vague dull look without any expression, that can be observed any day in dying people to whom one speaks: I was dealing with undeniably living eyes which were looking at me. After several seconds, the eyelids closed again[...].

It was at that point that I called out again and, once more, without any spasm, slowly, the eyelids lifted and undeniably living eyes fixed themselves on mine with perhaps even more penetration than the first time. Then there was a further closing of the eyelids, but now less complete. I attempted the effect of a third call; there was no further movement – and the eyes took on the glazed look which they have in the dead.

Impressões gerais sobre a França

     Permita-me então fazer algumas observações sobre esse belíssimo país, que após três meses de convivência com franceses no trabalho e 4 cidades visitadas, julgo ser capaz de fazer.

     Não me restam dúvidas de que a França é mesmo puro glamour... Apesar de não ter visitado muitos países ainda, é difícil imaginar que algum possa ser mais charmoso. Filmes franceses em geral mostram bem esse aspecto, e a própria língua deixa transparecer bastante esse sentimento quem vive no "país do amor".

     Junto com isso, entretanto, vem um sentimento de superioridade extremamente forte, o qual não senti nem de perto nos Estados Unidos, por exemplo (talvez porque enquanto os americanos acreditam que sua superioridade seja senso comum no mundo, os franceses precisam constantemente provocar os outros países para chamar atenção). Eles realmente acreditam ser o centro do mundo, e constantemente se recusam a aceitar conseqüências óbvias do mundo globalizado.

     Um exemplo é uma organização que eu vi em Paris, que tem como objetivo manter a identidade cultural do país no idioma. É interessante que exista um órgão como esse, mas às vezes eles chegam ao absurdo de proibir que palavras como iPod, por exemplo, sejam pronunciadas do modo inglês (ai-póde). A norma francesa diz que a pronúncia correta nesse caso é i-pô, e ainda houve uma enorme discussão para determinar qual seria o sexo do i-pô (finalmente estipulado como masculino).

     Muitos franceses são também incrivelmente convencidos, resultado direto desse sentimento de superioridade. E eles sempre olham a história deles com muito orgulho, como se eles sempre tivessem sido os heróis lutando contra bandidos. Por exemplo, numa conversa com meus colegas franceses de trabalho sobre a colonização do continente africano, a impressão que eles têm é de que a França realmente foi lá para salvá-los, e que os malditos africanos, mal-agradecidos, ainda imigraram em massa para a França, roubando dos franceses o que é deles de direito... Interessante o ponto de vista, né?

     Bom, pontos prós, pontos contra, o importante é notar que esse conjunto de itens acaba por definir a identidade cultural do país, que, apesar de se acharem o centro do universo, é notavelmente muito mais forte do que a espanhola e portuguesa, por exemplo.

domingo, 2 de março de 2008

França -> Suíça

     Caramba!

     Cheguei no aeroporto em Basel e fui direto para a estação, para pegar o trem para Bern. Entrando no trem, fiquei até assustado: um bando de gente calada, com cara fechada, braços cruzados, e olhando para você com o rabo do olho quando você passa por eles, como que dizendo: "nem pense em sentar aqui, eu ocupo quatro lugares, não tá vendo?". Parece um bando de doentes!

     Me faz pensar se hoje é uma excessão - por ser domingo a noite - ou se foi sempre assim, todo mundo frio, e eu não percebia. Seja qual for a resposta, sinto que é legal viajar de um país para o outro e notar essas diferenças culturais, esses pequenos detalhes...

Nice

     "Nice is cute".

     Essa foi a descrição que eu mais ouvi das pessoas com quem conversei sobre Nice. E, sem dúvida, a descrição mais precisa também.

     Que dizer de uma cidade onde a torre do relógio, no centro da cidade antiga, é rosa? Isso mesmo, rosa! Se isso não diz nada para você, talvez diga o fato de que a grande maioria das construções na cidade antiga são coloridas. Arquitetura delicada, toda a cidade bem decorada (em função do carnaval), músicas agradáveis pelas ruas, tudo isso contribui para que Nice continue recebendo esse adjetivo tão preciso: é uma graça!

Nice - Cidade Antiga 1

Nice - Cidade Antiga 2

Nice - Praia

     Nice me lembrou Granada. Não porque é realmente parecida com Granada, mas simplesmente pela sensação que eu senti lá. Cidade aconchegante, litorânea, antiga e, principalmente, "cute"!
É aquele tipo de lugar que te faz ficar sorrindo o dia inteiro, sem saber o porquê.

     Para começar, o albergue em Nice se mostrou sensacional. O melhor albergue em que já fiquei na Europa, sem sombra de dúvidas. Ville St. Exupéry faz parte do Europe Famous Hostels (assim como também faz o Kabul, onde eu fiquei em Barcelona), que estou percebendo ser um ótimo atestado de qualidade para albergues. O pessoal te busca (e leva de volta) no ponto de ônibus com uma van sempre que você está carregando bagagem, tem internet (e wi-fi) grátis, café da manhã incrível grátis, um bar muito bom, com latinha de cerveja 500ml a um euro, e, o melhor de tudo, um ambiente super propício a conhecer pessoas. Você realmente precisa se esforçar se não quiser conhecer ninguém!

     Como disse nos post anterior, a mudança radical do clima também ajudou bastante, e Nice, com um clima mediterrâneo, chegou a mostrar 20 graus celsius no termômetro na cidade: sem dúvida, o melhor tempo que já tive desde que viajei para a Europa! Pude ficar o tempo inteiro sem minha jaqueta, sempre com a sensação feliz de que o inverno está finalmente acabando!

     Cheguei na cidade sábado pela manhã, vindo de Marseille, e, após o check-in e o almoço, já fui direto para o Promenade de Anglais, uma avenida na beira da praia onde o pessoal fica fazendo esportes como caminhada ou cooper, ou andando de patins/bicicleta/skate. Gente de toda idade, um clima bem agradável.

     O Carnaval foi a próxima atração do dia, e um tanto quanto surpreendente. Bem diferente dos carnavais da Suíça (e, claro, do Brasil também), o famoso Carnaval de Nice foi, basicamente, uma "Flower Parade". Vários carros megamente decorados ficam passeando pela principal avenida da cidade, sempre com algumas pessoas fantasiadas dentro que ficam atirando, uma a uma, as toneladas de flores de lá de dentro. Bem bonito. Eles fecham as ruas e colocam umas barreiras de modo que só pode assistir quem paga os 25 euros pelo assento (a não ser, é claro, que você tenha a brilhante idéia de subir na cabine telefônica e assistir tudo de camarote, lá de cima, hehe), e, acredite, não havia nenhum lugar vago, a arquibancada estava lotada!

     Logo que terminou o Carnaval, fiz uma caminhadinha de leve e subi no morro mais alto da cidade, onde pude ficar apreciando a vista belíssima até o pôr-do-sol. Logo que cai a noite volto para o albergue, onde acabo por conhecer um grupo de canadenses super legais, e, após algumas cervejas (a um euro), fomos visitar um bar na cidade. Show de bola!

Vista panorâmica de Nice

     Último dia de viagem, acordei no domingo pensando em ficar relaxando na praia o tempo todo, até a hora de ir embora. Os planos mudaram totalmente já no café da manhã, quando resolvi me juntar ao pessoal numa day-trip para Mônaco. Ótima escolha!

     Atrás apenas do Vaticano, Mônaco é o segundo menor país do mundo, daqueles que você atravessa a pé. É tão pequeno que, no ônibus que a gente pegou de Nice para Mônaco, sem querer perdemos o ponto (sim, são só dois pontos no país inteiro) e acabamos voltando pra França, na outra borda do país. Simples assim, ficamos conversando e, em poucos minutos, havíamos atravessado todo o país!

     "Droga, agora vamos ter que cruzar a fronteira a pé"! Pensamos em pedir carona, mas só passava por nós carros bizarros, tipo Porches, Ferraris, BMWs, etc. Decidimos que pediríamos carona para o primeiro carro que valesse menos de 100 mil euros, mas esperamos tanto tempo que o ônibus na direção de Mônaco passou e então pegamos. E dessa vez prestando basatnte atenção para não deixar o país passar despercebido denovo!

     Mônaco é definitivamente um país de gente rica. Milionária. Eles se sentem bem, todos aglomerados lá, juntos com seus Iates imensos e suas Ferraris, já que o principado é um paraíso em termos de impostos. E eu me senti muito bem também em saber que eles escolheram um lugar para ficar juntos, bem longe de mim... Porque, sinceramente, nunca vi tanta madame junta, dessas peruas mesmo, sabe? Nunca vi tanta gente metida a besta junta!

Litoral de Mônaco

Autódromo de Mônaco

Palácio de Mônaco

      O passeio se resumiu em um almoço na praia, uma caminhada pelas ruas onde montam o autódromo, em Maio, e uma visita ao Palácio. Palácio bem legal, por sinal, mas como fui a Versailles há uma semana atrás, achei que não seria suficientemente impressionante (aliás, tive certeza). Engraçado foi o guardinha, que fica em frente ao palácio marchando o dia inteiro, sozinho, de um lado para o outro. Não serve para nada, na verdade, a não ser para servir de tema para as fotos dos chineses.

     Volto agora para a Suíça, abandonando esses quase-vinte-graus e trocando por uns meros-cinco-graus. Belíssima troca, né? Bom, fazer o que... Amanhã é dia de trabalhar e, sem trabalho, sem mais viagens...

     Melhor trabalhar então mesmo...

Marseille

     Marseille é agradável. Não muito mais do que isso, só agradável mesmo. O que, obviamente, não quer dizer que a cidade seja ruim, como tantas vezes fiquei com a impressão quando conversava com outros viajantes.

     Segunda cidade mais populosa da França, e terceira maior área metropolitana, diferentemente de Lyon, Marseille passa a impressão de uma cidade grande. Muito trãnsito, engarrafamentos, muita gente nas ruas, barulheira... Me lembrou São Paulo algumas vezes, o que eu achei interessante, já que nem Madrid, Barcelona, Bruxelas ou Paris me lembraram, apesar de serem ainda maiores que Marseille.

     É também a cidade mais antiga da França, tendo sido fundada há 26 séculos atrás, pelos Gregos (antes ainda do florecimento romano). Apesar disso, não sobrou muito de sua cidade antiga: a impressão que tive é que não houve esforço em preservá-la, e hoje em dia há muito movimento e mesmo alguns prédios onde um dia a cidade começou. Por falar nisso, a cidade começou a partir de um porto. Olhando no mapa se percebe facilmente a razão de Marseille ser um porto, há exatamente uma entrada do mar Mediterrâneo em suas terras, e o porto é hoje em dia o que de mais histórico pode-se encontrar na cidade.

     A minha estadia começou de maneira interessante. Saí de Lyon embaixo de chuva, o céu estava cinza, e a previsão apontava chuva para o resto do final de semana. Estava triste com isso, já que minha viagem a partir dali seria pelo litoral, e praia com chuva não combina. A primeira hora da viagem foi embaixo de chuva forte, mas, para a minha surpresa e felicidade, o clima mudou repentinamente para um solão, e o céu se tornou azulzinho de uma hora pra outra! Só isso já foi suficiente para eu chegar em Marseille com um humor pra lá de bom!

     Cheguei, almoçei, fiz meu check-in no albergue, e saí pra conhecer a cidade. Estava morto de cansado, tanto por ter dormido pouco como por ter "turistado" freneticamente nos últmos dias, então aproveitei a fama "mediana" de Marseille pra fazer um turismo bem light... Uma visita ao porto, um café. Uma visita à Basílica de Notre Dame de La Garde, com uma ótima vista da cidade, e só. Voltei pro albergue e fiquei no barzinho até tarde (cedo para os padrões baladísticos), e fui dormir. Deixei a praia para curtir em Nice.

Porto de Marseille Basílica de Notre Dame de la Garde

Vista panorâmica da cidade

     A próxima parada é Nice, que tem uma fama entre os viajantes de ser inesquecível e apaixonante. Dois dias serão suficientes para que eu dê meu veredito ao final dessa viagem pelo sul da França.

     Adieu!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Lyon

     Como planejado, o primeiro destino do roteiro foi Lyon. Situada apenas uma hora e meia de Geneva, a cidade fica no caminho para o litoral do mediterrâneo, o que tornou essa parada bastante conveniente nos meus planos.

     Lyon é a terceira cidade com mais habitantes da França (depois de Paris e Marseille), e possui a segunda maior área metropolitana (atrás apenas de Paris). Apesar disso, possui um clima aconchegante de cidade pequena, o que a torna completamente diferente de Paris, por exemplo. As diferenças, no entanto, não passam muito daí: o mesmo estilo de arquitetura, humor das pessoas e, principalmente, o "charme"também pode ser notado em Lyon, o que confere uma certa unidade ao país como um todo.

     Capital da região Rhône-Alpes, é conhecida também como a capital francesa da gastronomia (e, portanto, capital mundial). Teve um importante papel na história do cinema, uma vez que os irmão Lumiere, em 1895, inventaram-no enquanto lá viviam. É também onde fica o QG da Interpol de toda Europa.

     Comecei o meu dia andando pela cidade antiga, que possui a distinta característica de ser da época do império romano (diferentemente das cidades antigas medievais que vemos normalmente). Após um almoço típico francês, tomei o metrô em direção ao centro da cidade, pequei algumas informações, e fui em seguida ao parque.

Lyon - Old Town 

     Resolvi fazer o passeio do parque de bicicleta, e não poderia ter feito escolha melhor. O parque tinha um clima ótimo, muito alegre e divertido, tudo muito bonito. Era também um semi-zoológico, com alguns animais exóticos espalhados. Após relaxar, fazer planos, sonhar e refletir bastante sobre a vida, tomei a saída do parque para a Cité Internationale, obra de Renzo Piano, e lá fui ao Museu de Arte Contemporânea.

Parque

Cité Internationale

     Adorei o museu, realmente me surpreendeu de maneira positiva. Estava acontecendo lá uma exposição de Keith Haring, que é como uma mistura de arte moderna com história em quadrinhos, com desenhos infantis. Fiquei realmente fascinado, e achei engraçado quando notei que cada vez mais estou gostando de museus e obras de arte, especialmente moderna e contemporânea.

     No caminho de volta, parei um pouco para ver a Interpol, mas logo ao tirar a câmera já veio um policial dizendo que era proibido tirar fotos, e que eu deveria ir embora. Fui, mas obviamente, mesmo que o prédio não tivesse nada de especial, só o fato de ser probido me fez voltar lá e tirar algumas fotos escondido (como um bom brasileiro que sou!).

Interpol

     Já voltando na direção do albergue novamente, subi ao topo do monte Furvière para ver a Basílica de Notre-Dame de Fourvière. Posso dizer que se não tivesse visto antes a Notre-Dame de Paris, eu realmente teria ficado impressionado. Do topo da montanha também pude ter uma ótima vista da cidade antiga. A última parada foram as ruínas gallo-romanas, próximas à igreja, onde pude entrar e conhecer um verdadeiro teatro da época do império romano. Muito legal!

Basílica de Notre-Dame de Fourvière

Teatro Romano

Vista panorâmica da cidade

     O dia terminou com uma boa cerveja com a galera do albergue, onde pude conhecer muitos franceses e aprender um pouco mais sobre o país deles. Show de bola!

     Prochain Arêt, Marseille!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quem gostou pede bis!

     Felizmente não precisei esperar muito para voltar à França. Seguindo mais ou menos minha idéia de que é preciso ver mais de uma cidade para ter uma boa imagem do país, sigo hoje para o sudeste da França. O roteiro inclui Lyon, Maseille e Nice, sendo que em Nice eles ainda estão comemorando carnaval, um dos maiores da Europa!

     É nui!!!

     Paris deixou uma imagem tão boa que a expectativa agora é imensa! Vamos ver o que me aguarda!

O Fabuloso Destino de Cazé...

     O que dizer de Paris?

     Espero, nas próximas linhas, tentar traduzir em palavras um pouco do que eu senti nesses últimos dias, embora já tenha a certeza de que tudo o que eu disser continuará sendo irrelevante perto da sensação de ver a Cidade das Luzes ao vivo e a cores (e que cores!).

     Paris é mais ou menos aquilo que todo mundo imagina... Lindos edifícios com uma marcante arquitetura, monumentos mundialmente conhecidos, cidade agitada, vida boêmia, bares, cafés, cabarés, e história... muita história. E tudo isso junto, combinado de maneira incrivelmente harmoniosa. É o tipo de cidade que faz jus a toda a fama que recebeu (ou melhor, que construiu).

     Comecei a viagem na manhã de quinta-feira. O albergue, escolhido a dedo, já mostrou que atenderia bem às minhas expectativas. Localizado bem no meio de Montmartre, a menos de cem metros da Sacre-coeur e a menos de quinhentos do Moulin Rouge, já estava bombando de gente. Me ofereceram um café-da-manhã de brinde, com um bem típico Croissant parisiense para começar o dia.

     Cheguei no albergue por volta das 8 e pouco, onde deixei minhas malas e saí pra bater perna. Peguei o mapinha do metrô, e, como ainda não tinha destino certo, apenas fui fazendo as conexões de modo a chegar em qualquer lugar perto do centro. Maravilha, saí em St. Michel, já de cara com uma vista da catedral de Notre-Dame. Descobri um tour guiado que sairia daquele mesmo ponto dentro de pouco tempo, que passaria pelos principais pontos da cidade. O melhor de tudo: o tour era grátis! Não tinha o porque de não fazer...

Início do Tour

Catedral Saint Michel

     Então, já nas minhas primeiras horas de Paris já estava passeando na beira do Senna, passando pela Catedral de Notre-Dame, Ponte Neuf, Louvre, Jardin des Tuileries, Place de la Concorde, Arc de Triomphe, Hôtel des Invalides, e vários outros pontos turísticos. Tudo a pé, do jeito que deve ser! O guia do tour se mostrou ser excepcional, muito divertido e com um conhecimento absurdo sobre a cidade. Logo entendi que apesar de grátis, ele receberia uma boa quantia de gorjetas ao final do tour, pelo ótimo trabalho.

Museu do Louvre

Place de la Concorde

     Logo após o tour já fiz um pit-stop no Arc de Triomphe, onde subi e já pude curtir uma ótima vista da cidade! Andei pela Champs-Elysées, comi um crepe, e de lá fui ao Museu d`Orsay. Incrível museu, com obras dos principais artitas impressionistas, de Monet à Van Gogh. Às 9 já estava denovo em St. Michel pronto para o Pub-crow que rolaria com a mesma galera que fez o tour. E assim foi a primeira noite: 5 bares, free-shots de vokda, e um nightclub no final. Não podia ter começado melhor!!!

Arc de Triomphe

     O segundo dia também não deixou nada a desejar. Encontrei a Ju, Carla e Melissa e fomos para o parque em frente a Torre-Eifell. Fizemos um bom pique-nique, e, de barriga cheia, fomos denovo à Catedral de Notre-Dame. Dessa vez entramos, e, como era de se esperar, babamos. A grandiosidade da "Nossa Dama" faz qualquer outra igreja que já vi parecer uma capelinha...

Torre Eiffel

Catedral de Notre Dame

     Aproveitando que era sexta e já estava no fim da tarde, fomos ao Louvre (minha mais esperada atração) e aproveitamos a entrada-gratuita a que tínhamos direito. Sim, ele é realmente gigante, e digo que minhas três horas de caminhada não foram suficientes para ver nem metade do que eu queria. Mas pelo menos tive a oportunidade de ficar babando nas seções da Grécia antiga e da civilização egípcia.

Museu do Louvre

     A noite terminou com uma nova visita à Torre Eifell, dessa vez durante a noite, quando ela está magnificamente iluminada e, eventualmente, faz um show de luzes que faz inveja até no Papai Noel. E então um barzinho de leve pra fechar com chave de ouro... Nada de balada, o dia seguinte seria pesado...

     E foi... Passamos o sábado em Versailles, visitando o Palácio Real e o singelo jardim do mesmo. Pequeno jardinzinho... Entender a Revolução Francesa fica mais fácil quando você vê com seus próprios olhos como é possível gastar tanto dinheiro público com luxos da família real.

Jardins do Palácio de Versailles Palácio de Versailles 

 

Jardins do Palácio de Versailles

     Na volta me separei das meninas e, felizmente, cheguei no Moulin Rouge a tempo de encontrar o grupo de mais um Free Tour. Dessa vez o tour seria pela charmosa Montmartre, berço de vários grandes artistas que já passaram pelo mundo. E esse foi o ponto mais alto da viagem. Impossível descrever a sensação que aquele lugar passa! Mas você pode concluir que realmente deve haver algo de especial no bairro onde já moraram Picaso, Van Gogh e vários outros artistas, onde nasceu o movimento surrealista, onde existem hoje várias produtoras de cinema e onde foram filmados os filmes Moulin Rouge e Amelie Poulain. Só isso...

Moulin Rouge

Catedral de Sacre Coeur

     Última noite em Paris, claro, não podia terminar de outra forma que não uma boa balada. Como estava fascinado pelo bairro resolvi ficar por lá perto mesmo, onde encontrei um boa boate e pude viver um pouco da boemia do lugar. Perfeito.

     Já comecei o dia de domingo com saudade da viagem que estava prestes a terminar. Tinha ainda o dia inteiro, mas esse tempo parecia incrivelmente curto perto do quanto eu ainda gostaria de ficar. Arrumo minha mochila e saio em busca de mais alguma coisa que possa me surpreender. E, mais uma vez, Paris mostrou que não deixa ninguém na expectativa mesmo.

     Passei várias das minhas últimas horas em Paris no Centro de Artes Pompidou, um dos grandes centros de exibição de arte moderna e contemporânea do mundo. E, sendo eu um grande admirador (apesar de nada entendedor) de arte moderna, pude ficar delirando em outros mundos por um bom tempo naquele lugar.

Centro de Artes Pompidou

     Uma breve visita à Place de la Bastille - um dos pontos principais ligados à Revolução Francesa - e outra ao Cimetière Du Père Lachaise - famoso por ser onde repousam famosos como Oscar Wilde, Chopin, Jim Morrison - foram as últimas paradas antes de um bom lanche da tarde num típico café parisiense, que, infelizmente, já era caminho para a estação de trem que me levaria de volta à Berna.

Place de la Bastille Cimetière Du Père Lachaise

     Volto pra casa com um gostinho de quero mais... Com a tristeza de deixar para trás a mais bela cidade que já visitei, mas com a tranquilidade da certeza de que não tarda minha volta.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

TPE - Tensão pré-embarque

(escrito na noite de 20/02)

     Sentado aqui no trem de volta pra casa, fazendo a contagem regressiva pro embarque para mais um país... Mais novidades, mais surpresas, mais aventura...

     O fato de ter muita gente da França na minha empresa foi algo que me ajudou bastante na programação e na construção das expectativas: todo mundo me encheu de recomendações, me deram boas dicas, ajudaram a escolher o albergue e tudo mais. Muito bom. E nesses últimos dias tenho também pesquisado tudo que consigo a respeito de Paris, pra chegar lá já sabendo onde ir e o que fazer, e o que cada lugar historicamente representa.

     Comprei uma passagem na EasyJet (procurando economizar o máximo possível), e o vôo sai de Geneva às 06:20. Acontece que o cabeção aqui não se tocou que seria impossível chegar em Geneva a tempo do check-in, e, agora, a única solução vai ser sair de Berna hoje a noite mesmo e pernoitar no aeroporto para conseguir pegar o vôo. Fazer o que, né? Ossos do ofício de viajante liso, hehe.

     Ah! Uma coisa legal que eu descobri é que vai ter um pessoal do ITA viajando por lá nesse mesmo fds: a Carlinha e a Ju, e mais a Melissa, ex-intercambista canadense que foi para o ITA ano passado pela aiesec. Mega coincidência! Reforça ainda mais minha teoria de que iteano tá em todo canto, hehehe. Então talvez eu ajuste meus planos pra encontrar elas e dar um rolé junto a turma toda algum dia.

     Bom, com essa notícia de que eu vou precisar pernoitar em Geneva, precisei fazer uma mudança de planos e, nesse exato momento, estou correndo para casa para terminar de arrumar minhas coisas, tomar um banho, e cair na estrada (leia-se: linha-de-trem) daqui algumas horas.

     Tensão pre-embarque é muito foda! Quem já saiu viajando sozinho assim sabe como é bom!