Continuando a seqüência, vou falar agora sobre o lugar específico de Boston que eu freqüento todos os dias: O MIT. Abreviação para Massachusetts Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), o MIT é uma instituição de ensino superior, particular, localizada na cidade de Cambridge. Cambridge é uma cidade conurbada a Boston, e as cidades são tão próximas que, mesmo morando em Boston, levo menos de meia hora de caminhada para chegar até o MIT, em Cambridge.
O MIT possui atualmente um total de 32 departamentos acadêmicos em diferentes áreas do conhecimento, tendo sua maioria uma grande ênfase em pesquisa científica e tecnológica. Foi fundado em 1861, e possui atualmente pouco mais de 4000 estudantes de graduação, 6000 de pós-graduação e cerca de 1000 professores. Dentre seus afiliados podem ser contados 72 prêmios Nobel, 47 Medalhas Nacionais da Ciência, dentre vários outros prêmios e láureas.
É impressionante a estrutura da faculdade. Distribuída em um conjunto de cerca de mais de 50 prédios no sul de Cambridge, possui Praça de Alimentação, bancos, salas de música, lojas de conveniência, restaurantes de todo tipo e todo tipo de coisa que possa servir de alguma forma a seus estudantes e professores. Possui também uma academia com um padrão inimaginável, do tipo que eu nunca vi no Brasil, além de piscina e quadras de todo tipo de esporte. Tudo isso a disposição. É como uma mini-cidade, mas uma cidade da qual a grande maioria da população é jovem, onde todos são incrivelmente inteligentes, onde não há violência, as ruas e prédios são limpos, quase todos andam a pé ou de bicicleta, e onde o principal produto exportado é o conhecimento, na forma de ciência e tecnologia.
Ainda sobre a estrutura do MIT, tem o detalhe de que ele possui, dentro de seu campus, um centro médico enoooooorrrrmeeee, tanto de pesquisa quanto de atendimento, incluindo um hospital também enooooorrrmeeeee, considerado um dos melhores da cidade.
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Vale lembrar que o ITA, no Brasil, foi idealizado aos moldes do MIT. Tudo foi copiado, de forma saudável, mas descaradamente. Acontece que os cinqüenta e poucos anos de história do ITA foram suficientes para fazê-los distanciar o suficiente para que hoje as duas instituições não tenham mais quase nada em comum (a não ser o fato de que o ITA ainda se espelha no MIT). Mas naquele início, até mesmo o corpo de professores do ITA foi constituído a partir de professores do MIT, e algumas aulas eram ministradas em inglês por causa disso.
Uma coisa que o ITA tem de muito legal são as iniciativas. Grupos de alunos com interesses em comum, que se reunem periodicamente para discutir, aprender, administrar ou produzir alguma coisa. Como não poderia deixar de ser, as iniciativas também são reflexo de uma característica do MIT: os grupos. O MIT Groups, coordenado pela ASA – Association of Students Activities, http://web.mit.edu/asa – inclui grupos de interesse em TODO E QUALQUER tipo de atividade. É algo inacreditável mesmo. Quer um grupo de teatro? Ou um de malabares? Hockei na grama? Estudantes brasileiros no MIT? Estudantes do Sri-Lanka no MIT??? Tudo isso você encontra. Se achou pouco, pesquise o site acima e encontrará raridades como grupo de estudo de esperanto, grupo anti-preconceito de mulheres engenheiras, grupo de origami e até grupo de estudantes GLS (pelo menos aqui eles não se escondem).
Muito interessante também são as fraternidades, típicas de universidades americanas. Fraternidades são grupos de alunos amigos que ajudam uns aos outros. São chamados entre si de “irmãos”, e, teoricamente, devem fazer de tudo para ajudar os companheiros de fraternidade. A conseqüência prática disso é que eles vivem nas casas das fraternidades, que são casas enormes administradas (e subsidiadas) pelo MIT, e que possuem o consenso do mesmo para que sejam realizadas as chamas “festas de fraternidade”. Ou seja, pense num ambiente a-lá H8, com cerca de 30 alunos morando numa mesma casa, estudando juntos e fazendo festas constantemente. A única diferença em relação ao H8 é que nas fraternidades os grupos são menores, e, portanto, as personalidades dos integrantes são mais parecidas, enquanto que no H8 as personalidades são o completamente diferentes entre si (o que eu considero um ponto positivo pro ITA).
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O aluno que entra no MIT tem então três oportunidades de moradia: pode escolher morar em uma fraternidade, pagando pouco por isso (devido ao subsídio do MIT), vivendo com um bando de amigos e fazendo festas constantemente; pode escolher morar off-campus, ou seja, numa moradia independente, pagando mais por isso mas fugindo da baderna das fraternidades; ou pode escolher uma opção intermediária, que são os ILG (Independent Living Group). Os ILG são casas também subsidiadas pelo MIT, do mesmo tipo das fraternidades, com a única diferença que as festas e badernas não são tão constantes. E também não existe o blábláblá de irmão, nos ILG todo mundo é amigo e pronto. Nos próximos posts eu falarei melhor dos ILG, pois é o tipo de residência em que eu estou morando atualmente.
Eu falei um pouco acima da estrutura do MIT, que possui mais de 50 prédios agrupados no sul de Cambridge. Uma coisa que me chamou muito a atenção com relação às faculdades de Boston, incluindo aí o MIT, é que elas são totalmente abertas. Não existe uma delimitação exata de onde seria o campus da universidade, ele fica misturado com a cidade mesmo. Tão misturado que as ruas da cidade passam normalmente dentro do campus, e se existem três prédios ali naquela esquina, um pode ser um shopping center, o outro um prédio residencial, e o outro um laboratório de física quântica com um acelerador de partículas que pode destruir o mundo em alguns segundos. Legal, né?
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Para terminar, gostaria de citar alguns dos famosos alumni que fizeram com que esta instituição se tornasse tão renomada. Políticos aos montes, incluindo presidentes da Colômbia, Costa Rica, primeiro ministro de Israel, Governadores e Chefes de Estado dos EUA, e o tão falado Ben Bernanke, presidente do Fed. No ramo de tecnologia então, o número assusta: fundador da HP, da Lotus, inventor do mouse óptico, do circuito integrado, e inúmeros CEO’s de grandes companhias do ramo. E, além disso, vem na lista 33 astronautas, incluindo aí o segundo homem a andar na Lua, Buzz Aldrin, e os 72 prêmios Nobel incluindo o Nobel da Paz Kofi Annan e o físico considerado o mais influente desde Einsten, Richard Feynman. É mole?
Sim, é esse o lugar onde eu estou atualmente. Não estudando, AINDA, mas trabalhando e aprendendo cada dia mais. Criando meios para que, quem sabe, um dia eu também entre na lista de estudantes que já passaram por esta instituição.
3 comentários:
E vai!
Adorei o prédio da inteligência artificial, hehe
Bjs
Fiquei fascinada com tudo o que li. Sempre quis fazer MIT. Queria sber se você conhece algum contato brsileiro lá que possa me dar informações como estudante, em relação à admissão e tudo mais. Muito obrigada, e boa sorte no ingresso à faculdade.
Olá Ana!
Posso tentar te ajudar, com todo prazer. Me envie um email pra gente poder conversar melhor:
marcelomattar@gmail.com
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