Continuando a seqüência decrescente de abordagem, este post vai tratar de algo já mais pessoal e menos abrangente, que é a casa onde estou morando. Esse ambiente um tanto quanto peculiar, que procurarei descrever nas próximas linhas, possui um nome nada criativo: MIT Student House.
Subsidiado pelo MIT, esse ILG (Independent Living Group) abriga aproximadamente 25 estudantes, com uma taxa de excentricidade próxima de 100%. Localiza-se fora do Campus do MIT (chamado off-campus housing), no endereço 111 Bay State Rd. Porém, apesar de se localizar em uma das regiões mais ricas de Boston, a Student House é provavelmente a opção mais barata de moradia fora do Campus - graças ao subsídio do MIT - e a mensalidade baixa pode ser mantida graças aos trabalhos domésticos semanais realizados pelos moradores, o que dispensa a contratação de qualquer profissional terceiro.
Os moradores são, em sua maioria, americanos, o que diferencia um pouco esse ILG de outros que possuem uma receptividade maior de estudantes estrangeiros. No entanto, dos aproximadamente 25 moradores existem um alemão, três ingleses e dois brasileiros (incluindo o que vos escreve). Mas, apesar de a grande maioria ser americana, deve-se ressaltar que os olhos puxados são regra na casa, fazendo valer o ditado que em terra de olho puxado quem tem traço ocidental é uma aberração.
Como disse, a excentricidade dos moradores é alta. Respeitando o padrão do MIT, são todos visivelmente nerds (daqueles que são facilmente reconhecíveis), mas nerds no bom sentido, não o nerd bitolado que geralmente é associado à palavra no Brasil. São, pelo contrário, o nerd que faz jus à máxima: “O mundo é dos nerds”. Muitos deles tocam algum instrumento, com maioria óbvia para piano, mas incluindo violão, baixo, bateria, saxofone e talvez algum outro que eu ainda não tenha descoberto. Para dar suporte ao talento, existe uma sala de música no primeiro andar contendo piano, violão e bateria (e uma sinuca e um pebolim, pros intervalos).
A livraria, no segundo andar, tem uma coleção de livros invejável, provavelmente construída e equipada ao longo dos anos pelas inúmeras pessoas que já passaram pela casa. Livros de exatas em sua maioria, mas também de idiomas, política, filosofia, história e literatura em geral. Também na livraria, 3 computadores ficam à disposição de quem estiver cansado dos respectivos laptops, cada qual com um Sistema Operacional (Linux, MacOS e Windows). Tudo para favorecer o ambiente “nerd”.
Alguns outros detalhes podem até passar batido aos olhos de alguns, mas não passaram aos meus. Pôsteres de quadros de Picasso espalhados por toda a casa, até mesmo dentro dos banheiros, esculturas em vidro decorando a casa, e pinturas psicodélicas em algumas paredes mais escondidas. No entanto, nada que surpreenda muito, afinal, o próprio ambiente do ITA e H8 não se distancia muito.
Enfim, essa é a casa onde estou vivendo atualmente. Não podia ter dado mais sorte: estou pagando pouco, tenho um ônibus do MIT que me busca da porta de casa e me deixa em frente ao MIT de 20 em 20 minutos, jantar grátis todos os dias e, principalmente, o piano, com dezenas de métodos e muito o que estudar!
Difícil só vai ser me concentrar na pesquisa, com tanto o que fazer!
0 comentários:
Postar um comentário