quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aterrisando ou caindo de pára-quedas?

     Após 4 anos, desde a viagem à trabalho no casino Foxwoods, estou de volta à Boston. Engraçado, algumas coisas ficam guardadas na memória pra valer mesmo, e não há nada que as façam sair. Alguns lugares em Boston eu vi apenas uma vez em 2004, sem sequer prestar muita atenção. Mas, ainda assim, ao retornar a esse mesmo lugar eu tinha a certeza de que já havia estado lá antes.

     Cheguei no horário previsto. Às 13h30 já estava pegando o ônibus que me levaria à estação de metrô. Às 14h00 já estava perdido no centro da cidade, sem saber pra onde ir. Ou seja, tudo como era de se esperar, nenhuma novidade. Na estação de metrô perguntei por Bay State Road e ninguém soube me informar a direção. Disseram que eu devia estar enganado, já que não havia nenhuma rua na região com esse nome. Minha solução foi ir ao McDonalds mais próximo, usar a internet e checar no GoogleMaps novamente as direções. De posse de um esboço de mapa em minha mão, saí andando e descobri que o lugar ficava bem perto de onde já estava, o que foi uma sorte enorme, já que as malas pesavam e minhas mãos e orelhas já congelavam.

     Por falar em mãos e orelhas congelando, este foi o primeiro choque em território americano: o choque térmico. Burocracia na imigração, aeroportos super grandes e ricos, muita gente gorda pelas ruas, pra tudo isso se prepara psicologicamente. Mas para o frio não tem jeito mesmo. Foi a conta de sair do aeroporto para que eu percebesse que todo o agasalho que eu havia preparado ainda não era suficiente.

     Terminada a batalha para encontrar um teto, deixei minhas malas e saí para almoçar. O prato? Um belo de um McDonald’s, que era o restaurante mais próximo da casa onde eu estava. E, na fome e na economia que eu tava, até lavagem de porco descia. McDonald’s então, era comida de luxo!

     Finalmente, lembrei a tempo que, como dormiria no sofá, minha noite seria sofrida sem agasalho adequado. Saí então em busca de um cobertor, jornada esta que me tomou um bom tempo, mas terminou vitoriosa. Comprei um cobertor fino e quente pela bagatela de 10 dólares. Maravilha!

     Vale a pena contar ainda a coincidência absurda que foi encontrar, na mesma casa em que estou nesse momento, uma pessoa que trabalha no mesmo laboratório que eu, e para a mesma professora. Considerando que Boston possui mais de meio milhão de habitantes, Cambridge possui mais de 10 universidades, o MIT possui mais de 4000 alunos e mais de 30 departamentos, e o meu departamento possui mais de 100 professores, fica aí o registro do tamanho da coincidência que foi ter uma pessoa trabalhando para a mesma professora na mesma casa em que cheguei. Bom que assim eu tenho alguém pra me mostrar o MIT, pra me levar até o prédio certo, e pra me ajudar com alguma coisa que eu precise fazer, caso seja necessário.

     E foi assim que eu aterrisei caindo de para-quedas nesse mundo novo. Se antes a ficha não tinha caído que eu estava em outro país, agora sem dúvida caiu. Fica pros próximos posts então minhas (re)impressões sobre Boston e o MIT.

1 comentários:

Rubia disse...

Nossa! dessa coincidência nem eu sabia!tá faltando tempo no telefone, huahua :P