Estou vendendo meu fone de ouvido da Bose, o QuietComfort 2.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Fone de Ouvido Noise-Cancelling Bose
segunda-feira, 9 de março de 2009
Rubinete na área…
Após mais de um mês longe, a excelentíssima mais-nova-advogada-da-área senhorita Rubia Guasselli Dalpiaz finalmente chegou aos Estados Unidos. E chegou em grande estilo: depois de uma semana de calor intenso aqui em Boston, logo no dia dela chegar cai uma neve de assustar, e a temperatura cai denovo, atingindo -5°C.
Foi super engraçado ver tamanha felicidade no rosto dela ao brincar com a neve, o que me fez lembrar de quando foi a primeira vez que eu também vi neve, há quatro anos atrás, aqui mesmo nos Estados Unidos. Passamos a segunda-feira juntos, resolvendo algumas das várias coisas a resolver com a chegada de mais uma imigrante, e fechamos o dia com um jantar supimpa!
Como gente esperta é outra coisa, em menos de uma semana em Boston a Rubia já começou um curso intensivo de inglês e já conseguiu dois empregos! E a crise? Que crise? Agora só falta arrumar lugar pra morar e aproveitar o que os EUA têm de melhor: os cifrões!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Mais sobre a “piscada” e o Lag-1 Sparing…
Muito bom ver nos comentários que o post foi realmente interessante. Como eu disse, o Attentional Blink foi descoberto apenas de 1992, o que torna sua pesquisa muito recente. Desde então, muita coisa foi descoberta sobre o funcionamento e os motivos para a existência dessa “piscada”, os quais eu pretendo explicar aqui.
No entanto, antes de mais nada, cabe uma observação interessante. Nenhum de vocês, leitores do blog, percebeu uma característica interessante no gráfico exposto com os resultados (ou talvez tenham percebido e não quiseram comentar nada). Essa característica é o Lag-1 Sparing, ou “poupada” da atenção para os casos de Lag-1. Vejam o gráfico novamente:
O gráfico mostra que, para as situações em que a segunda letra é exibida LOGO APÓS a primeira letra, sem números entre elas, ambas são detectadas com surpreendente sucesso! Hehehe, algo totalmente inesperado, tão inesperado que os inúmeros gráficos mostrando resultados de Attentional Blink desde 1992 sempre apresentavam este pico para Lag-1, mas, assim como para vocês, leitores, esse resultado passou despercebido (ou, mais provavelmente, ignorado) até mesmo para a comunidade científica! Foi somente no ano 2000 que esse efeito foi estudado com maior cautela.
O Lag-1 sparing - “poupada” da atenção para casos de Lag-1 (segunda letra logo após a primeira) –, juntamente com a “piscada” descrita anteriormente comprovam o seguinte: numa tarefa de detecção de duas letras numa seqüência de números, a detecção da segunda é normal caso ela venha logo após a primeira, cai abruptamente caso ela venha dentro de um período de 200ms a 500ms após a primeira, e retorna a níveis normais caso venha após 700ms.
Esse fato curioso, ao ser descoberto e publicado em 2000, contribuiu mais ainda para que o assunto “Attentional Blink” se tornasse mais “pop” na comunidade científica do que já era. Todos tentavam entender o que era isso que acontecia no cérebro que proporcionava resultados tão inesperados! Muitos vieram com teorias sobre o funcionamento da atenção, mas uma delas é mais amplamente aceita atualmente.
Ela diz que, basicamente, o que acontece é que o cérebro divide essa tarefa de reportar as letras observadas em tarefas intermediárias: primeiro ele “seleciona” o que deve ser observado (através da atenção), em seguida ele armazena o item observado na memória de trabalho (sendo que o tempo de armazenamento depende da complexidade do item), para, só em seguida, ser possível recuperar o tem na memória de trabalho e reportá-lo como resposta. Esse processamento serial faz com que o cérebro “descarte” estímulos que aconteçam durante outra atividade que não a da atenção. Por exemplo, se a segunda letra aparecer enquanto a primeira ainda está sendo armazenada na memória, o cérebro a descarta. Caso a segunda letra apareça depois de concluído o armazenamento da primeira, ela é notada e pode ser também armazenada na memória para ser em seguida reportada.
Essa teoria explica ainda o acontecimento de Lag-1 sparing, que seria conseqüência de uma identificação simultânea das letras, e armazenamento também simultâneo das mesmas. Ou seja, o cérebro não precisa esperar terminar a identificação e armazenamento da primeira letra, ele simplesmente o faz com ambas as letras ao mesmo tempo! No entanto, se a primeira letra começa a ser armazenada na memória, então a segunda deve esperar a conclusão desse armazenamento. Simples, né?
Ótimo, tudo estaria muito bem explicado, se não fosse a última constatação experimental sobre o Attentional Blink e o efeito de Lag-1 sparing – e, na minha opinião, a mais interessante! O que é esperado acontecer se o cérebro armazena duas letras AO MESMO TEMPO na memória? As letras são armazenadas desordenadamente! A que veio primeiro pode ser reportada como sendo a segunda, e vice-versa. Esse pressentimento de que o cérebro se atrapalha todo quando armazena duas coisas ao mesmo tempo na memória foi então observado experimentalmente, reforçando ainda mais a teoria descrita acima.
Ei, mas por que o cérebro “pisca” então? Que história é essa? O parágrafo acima sugere uma ótima resposta. Apesar de que muitos de vocês possam ter pensado que a “piscada” da atenção é algo indesejado, e só atrapalha a nossa vida, ela nada mais é do que um truque do cérebro para organizar as informações ordenadamente. Ou seja, numa situação em que as duas letras são apresentadas, o cérebro primeiro identifica a primeira e começa a armazená-la na memória. Durante esse período ele “desliga” a atenção do resto do mundo, como que pedindo um tempo para colocar “ordem na casa”, e só em seguida ele recebe mais informação a ser processada e armazenada. É tudo uma questão de ordem, e quem sabe mesmo o que está fazendo é o cérebro.
Pode confiar! Mais uma vez, o cérebro demonstra ser mais complexo e completo (e interessante) do que nunca! E, mais uma vez, eu me empolgo e escrevo um post ultra-gigante, que so com muita paciência (e atenção) mesmo para ler.
Postado por Marcelo Gomes Mattar às 03:46
Marcadores: Ciências Cognitivas, Curiosidades, MIT
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Uma “piscada” da atenção?
Supressão do processamento visual numa tarefa de apresentação visual serial acelerada: Uma “piscada” da atenção? A grosso modo, essa seria a tradução do título do artigo científico que primeiro publicou a descoberta do chamado “Attentional Blink”, em 1992. Este post será o primeiro de uma série que vai descrever, em linhas gerais, o que se trata a minha pesquisa no MIT. Se você não entendeu bulhufas do que está escrito acima, fique tranquilo, este post promete explicar.
O Attentional Blink, traduzido aqui como “piscada” da atenção, trata-se de artifício cerebral que desliga temporariamente a atenção do indivíduo, de modo a organizar eficientemente as informações recebidas. Possui esse nome por ser um processo análogo à piscada dos olhos, que, de tempos em tempos, suprime também a visão da pessoa por alguns centésimos de segundos. Mas antes de entrar em maiores detalhes vamos estabelecer um nível mínimo de entendimento para facilitar a comunicação.
Em primeiro lugar, vejamos do que se trata essa apresentação visual serial acelerada. RSVP – Rapid Serial Visual Presentation – é um tipo de experimento no qual estímulos (números, letras, palavras, imagens, etc) são apresentados em seqüência a uma taxa tipicamente de 10 por segundo. Suponha, por exemplo, um experimento no qual imagens de fotografias são apresentadas na tela de um computador, cada uma ocupando cerca de 50% do espaço da tela, sempre localizadas no centro. Cada foto permanece na tela por 100ms, dando lugar à próxima em seguida.
A primeira constatação interessante é a de que a identificação de imagens acontece muito mais rapidamente do que se poderia imaginar. Num experimento como o descrito acima, por exemplo, é possível identificar cada uma das imagens mesmo a uma taxa de 10 por segundo. Entretanto, dada a quantidade enorme de informação num intervalo curto de tempo, o cérebro simplesmente “descarta” toda essa informação que não é usada – o que, em termos técnicos, é explicado pela memória icônica.
Entretanto, numa situação em que a pessoa à qual são apresentadas as imagens é solicitada a verificar a ocorrência ou não de uma foto de um objeto específico, nessa mesma taxa de 10/s, as pessoas acertam em 90% dos casos. Por exemplo, se numa série de fotografias de paisagens a pessoa for instruída a detectar a ocorrência de uma ponte, ela o faz com sucesso em 90% dos casos. Quem faz esse papel de selecionar, dentre todas as figuras apresentadas, aquela solicitada é a atenção.
Exemplo de RSVP – Apresentação Visual Serial Acelerada – na qual uma seqüência de imagens são apresentadas a uma taxa de 10/s
Mas afinal, o que é atenção? Apesar de todo mundo saber o que é, não é fácil definir a atenção em termos técnicos. Mas uma boa definição talvez fosse: “Atenção é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles” (wikipédia). Em outras palavras, é a atenção que permite que você converse com uma pessoa, por exemplo, sem se deixar influenciar por outros sons ao redor. É também ela que permite que você veja TV sem perder o foco toda vez que um mosquito passa voando. Ou seja, a atenção é o meio pelo qual uma pessoa se foca em algo, selecionando e direcionando parte da capacidade cerebral para uma determinada tarefa em detrimento de outras. Estamos a todo tempo utilizando a atenção, sem ela seria impossível viver, com um turbilhão de informações sendo bombardeadas a cada instante a todos os nossos 5 sentidos.
Imagine então agora um experimento similar ao anterior, em que números são apresentados à taxa de 10/s no centro da tela de um computador. A pessoa que está realizando o experimento é solicitada a detectar uma letra, que aparecerá em uma posição aleatória da seqüência, no lugar de um número, e identificar ao final qual foi a letra apresentada. Analogamente ao resultado apresentado acima, as pessoas reportaram corretamente a letra exibida em 90% dos casos.
Numa situação, entretanto, em que duas – ao invés de apenas uma - letras são incluídas na seqüência de números em posições distintas, algo interessante acontece. Se a segunda letra for apresentada menos de 500ms após a primeira, as pessoas simplesmente não a notam! Isso mesmo! É como se o cérebro desligasse a atenção por alguns instantes (em geral de 500-700ms), impedindo a pessoa de notar qualquer item da apresentação. Após 500ms a atenção começa a se recobrar, e, aproximadamente 700ms após a primeira letra a atenção já se recuperou praticamente totalmente, possibilitando uma nova detecção caso necessário.
a. Exemplo de RSVP com dígitos e letras como estímulos. Notem que a segunda letra é apresentada 200ms após a primeira, com um dígito entre elas;
b. Resultado do experimento (acertos da segunda letra para as situações em que a primeira letra foi corretamente identificada), comprovando a existência de uma “piscada” na atenção entre 0 e 500ms
Esse intervalo em que a atenção permanece “desligada” é, comumente, chamado “Attentional Blink” - piscada da atenção. Ainda que pareça um tanto quanto irrelevante – ou para alguns óbvio – essa descoberta de 1992 permitiu diversas descobertas a respeito memória de trabalho, atenção visual, entre outros. Algumas dessas descobertas, incluindo também alguns fatos curiosos virão nos próximos posts.
E tratem de prestar bastante atenção!!!
Postado por Marcelo Gomes Mattar às 03:02
Marcadores: Ciências Cognitivas, Curiosidades, MIT
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O segredo da beleza
Um post que vai dar o que falar. Não apenas super-interessante, mas que, com certeza, vai atrair a atenção de todos os leitores que me visitam. O título já esclarece: vou revelar aqui, nas próximas linhas, o grande segredo da beleza dos serem humanos.
Descobri que esse assunto é tema de inúmeras pesquisas, em vários laboratórios, de diversas universidades de todo o mundo. O motivo é simples: “por que será que umas pessoas são consideradas mais atraentes que outras”? Ou mesmo “por que será que ele(a) é mais ou menos bonito(a) que eu?
Vou começar então com uma historinha. Dizem que no final do século XIX havia um perito que analisava retratos-falados de criminosos de modo a identificá-los e apreendê-los. Às vezes mais de uma pessoa descrevia o criminoso, de modo que era possível elaborar mais de um retrato-falado da mesma pessoa. Em certa ocasião, este perito teve a idéia incrível de coletar todos os retratos falados referentes à mesma pessoa, observá-los simultaneamente, e elaborar um novo retrato-médio, com as características médias e comuns aos anteriores. O resultado surpreendente era que esse retrato-médio se mostrava mais atraente que todos os retratos-falados individuais.
Outro fato interessante aconteceu na década de 60, quando um pesquisador neo-zelandês constatou que, ao estudar o estereoscópio (instrumento que permite observar duas imagens diferentes, uma em cada olho – algo como os óculos bicolores de cinema-3D), se fossem mescladas duas figuras femininas, uma em cada olho, era surpreendente que a figura resultante era sempre mais bela e atraente que ambas as mulheres individualmente.
Mas afinal de contas, o conceito de beleza é algo subjetivo, não se pode levar em conta a opinião de uma ou poucas pessoas individualmente, não é? É óbvio que não. O conceito de beleza é algo incrivelmente palpável e lógico, e vocês verão o por quê.
O que as duas historinhas acima nos ensina é que a beleza é produto da média de diferentes rostos. E, como disse acima, diversas pesquisas nesta área confirmam: se obtivermos 100 (ou qualquer outro número) retratos de seres humanos distintos, todos tirados com a mesma posição relativa do modelo em relação à câmera, e alinharmos todos estes retratos, olho a olho, orelha a orelha, boca a boca, basta realizarmos uma operação simples de média que obtemos um retrato incrivelmente atraente – para todos os padrões. Não acretita? Dê uma olhada então nas fotos abaixo!
Rosto médio feminino obtido a partir da média de 100 rostos femininos
O que estas pesquisas nos permitem concluir é simples: o segredo da beleza humana é a MÉDIA. Em outras palavras, o ser humano busca o esperado, e, em geral, considera não atraente as características que se destacam num rosto. A média é o segredo, e dela vem a simetria.
Rostos médios masculino (esquerda) e feminino (direita)
O que acontece ao tirar a média de 100 rostos? Aquele nariz grande de um desaparece frente aos 99 narizes normais, aquela orelha de abano também, o lábio pequeno demais e a beiçola do outro também somem, e dão lugar ao lábio-médio. O mesmo acontece com todas as assimetrias da face. Finalmente, sobra um belo rosto comum, comumente belo.
Rosto médio obtido a partir de dezenas de retratos de mulheres orientais
É também possível explicar isso de forma evolutiva: o indivíduo busca sempre a conservação da sua linhagem, e, para isso, nada mais seguro que encontrar um belo parceiro-médio, do sexo oposto, que garanta a reprodução de sua espécie. E, com o passar dos anos, aquilo que era um instinto animal para reprodução segura de sua espécie acaba por se tornar um padrão estético universal.
Moral da história. Nada como ser feliz sendo normal!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
NextBUS
Mais uma surpresa com tamanha tecnologia e conforto que podemos ter aqui nos EUA, mais especificamente em Boston. Acessando o site www.nextbus.com é possível obter informações dos ônibus que saem do MIT em direção à minha casa e vice-versa.
Essas informações incluem o itinerário, a rota e, o mais surpreendente, quanto tempo exatamente falta para que o ônibus chegue ao ponto. Todos os ônibus são equipados com GPS, de modo que é possível saber com precisão onde exatamente se encontra o ônibus que se está esperando.
Ou seja, esperar o ônibus no frio de –15 graus??? Nunca mais!!!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O “melhor” gráfico do mundo
Participando de um seminário sobre estatística e análise de dados experimentais (“Statistics and Visualization for Data Analysis and Inference”), pude conhecer aquele que é conhecido como o gráfico mais bem sucedido da história.
Carte figurative des pertes successives en hommes de l'Armée Française dans la campagne de Russie - Charles Minard
Em 1861 o engenheiro civil francês Charles Joseph Minard publicou o famoso gráfico informativo (acima) retratando a desastrosa invasão de Napoleão à Russia. O gráfico, chamado “Carte figurative des pertes successives en hommes de l'Armée Française dans la campagne de Russie”, ficou famoso pela enorme quantidade de informação contida nem espaço tão limitado, aliado à facilidade surpreendente de leitura:
- O número de integrantes do exército francês é retratado pela largura das faixas;
- A localização do exército numa superfície bi-dimensional;
- A direção do movimento do exército: avanço retratado em marror e o retorno retratado em preto;
- A temperatura em certas datas durante o viagem de retorno.
Nos últimos anos inúmeras referências têm sido feitas ao gráfico de Charles Minard, que é citado como um dos mais bem-sucedidos gráficos informativos.